Friday, November 19, 2004

O "a abrir" deste mês de Novembro, auto-censurado devido aos acontecimentos de 17 de Novembro. Foi provavelmente pelo melhor, segundo alguns estou a ficar demasiado opinativa. E eu que me contenho tanto...

____________ a abrir

A abertura deste ano lectivo arrasta-se; no sentir de muitos parece nunca mais acabar de começar. O Ministério tem a sua quota-parte neste soluço interminável, mas nós aqui na escola podemos orgulhar-nos de o termos complicado “até ao infinito e mais além”. Planeiam-se as actividades das disciplinas , coordenam-se as actividades das turmas, grelha-se tudo e enfia-se em diskettes que passando de mão em mão ensaiam voar. Não conseguem obsoletas e pesadas. Revêm-se critérios de avaliação, aprovam-se, enviam-se e aguarda-se pelos canhotos. Enterrados em tanto papel os professores, alguns professores, querem descolar e também não conseguem.

Um aluno disse“ a escola é aquilo que os alunos quiserem”. Admirável utopia ou desejo singelo? Queremos acreditar que não é esta escola cheia de lixo, escritos nas paredes, estores desfeitos, cadeiras esfiapadas, palavreado de caneiro que os nossos alunos querem. Alguns querem com certeza uma outra escola. Podemos contrapor que uma escola é aquilo que os professores quiserem. Ou que os funcionários quiserem. Mas já não temos dezassete anos, o lirismo já teve o seu tempo. Uma escola, uma organização precisa de uma liderança eficaz. Quem quer uma escola de papel?

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