Sunday, January 15, 2006

Encostos

Estou farta de me encostar. A pretexto ou a coberto da contemporização tenho passado toda a vida - profissional - a evitar o afrontamento total. "não se consegue nada através do conflito, não serve de nada hostilizares as pessoas, tens de te esforçar por as levar a bem" foram sempre os (sábios) conselhos, as prudentes advertências que me têm levado a tentar levar a água ao meu moinho sem partir a loiça. O resultado não é nenhum, fica sempre tudo em águas de bacalhau. Ou quase tudo, fico eu mal vista.

Thursday, February 17, 2005

A boa vontade não substitui a competência

Fui assistir hoje de manhã a um debate? Palestra? 2 monólogos? organizado pelos estagiários de Filosofia. O tem era a Violência doméstica, mais especificamente, a violência sobre as mulheres. Convidaram duas Mulheres, activistas em duas ONG’s para virem até à nossa escola expor o problema, alertar, dizer aos nossos alunos como podem eles quebrar a cadeia.

Uma seca! O tom monocórdico, leram o texto preparado em lindas fichas azuis ( a miúda mais nova) em banal folha branca (a senhora mais velha). Deram definições, foram exaustivas na explicitação dos diferentes tipos de violência doméstica, falaram, falaram, falaram. A audiência, correcta, aguentou enquanto pode e não venham dizer mal dos nossos alunos e dos nossos professores que os prepararam, isso eles já aprenderam – como estar numa sessão destas. Não foram exemplares - uma das turmas “azaradas” é talvez a pior da escola em questões disciplinares (mas isso é para outra conversa); a outra, bem treinada por uma Directora de Turma a quem já ouvi dizer “Educação? Eu também dou. Sou professora de ................ mas também dou educação”, essa sim exemplar fez a média para o juízo “audiência correcta”.

Não sei que avaliação terão os estagiários e respectivo orientador feito desta acção. Educada e “acriticamente” os alunos e profs acompanhantes bateram palmas no final dos dois monólogos. As palestrantes tiveram sem dúvida imenso trabalho a preparar as respectivas exposições. Mas a mensagem não passou; não se trata de novas tecnologias, da obrigatoriedade de se usar um data-show ou video ou outra palfrenália. Nada disso! A palavra, a voz e o corpo são mais que suficientes. Mas há que ir aprender como se faz uma exposição oral, os “punch lines”, as ilustrações (orais), as mudanças de ritmo, a convicção....

E será que alguém lhes disse isto, preto no branco? Ou terão agradecido educada, acriticamente?

Friday, November 19, 2004

O "a abrir" deste mês de Novembro, auto-censurado devido aos acontecimentos de 17 de Novembro. Foi provavelmente pelo melhor, segundo alguns estou a ficar demasiado opinativa. E eu que me contenho tanto...

____________ a abrir

A abertura deste ano lectivo arrasta-se; no sentir de muitos parece nunca mais acabar de começar. O Ministério tem a sua quota-parte neste soluço interminável, mas nós aqui na escola podemos orgulhar-nos de o termos complicado “até ao infinito e mais além”. Planeiam-se as actividades das disciplinas , coordenam-se as actividades das turmas, grelha-se tudo e enfia-se em diskettes que passando de mão em mão ensaiam voar. Não conseguem obsoletas e pesadas. Revêm-se critérios de avaliação, aprovam-se, enviam-se e aguarda-se pelos canhotos. Enterrados em tanto papel os professores, alguns professores, querem descolar e também não conseguem.

Um aluno disse“ a escola é aquilo que os alunos quiserem”. Admirável utopia ou desejo singelo? Queremos acreditar que não é esta escola cheia de lixo, escritos nas paredes, estores desfeitos, cadeiras esfiapadas, palavreado de caneiro que os nossos alunos querem. Alguns querem com certeza uma outra escola. Podemos contrapor que uma escola é aquilo que os professores quiserem. Ou que os funcionários quiserem. Mas já não temos dezassete anos, o lirismo já teve o seu tempo. Uma escola, uma organização precisa de uma liderança eficaz. Quem quer uma escola de papel?

Friday, March 12, 2004

a loucura dos professores
Sempre houve professores loucos nas escolas. Uns mais exuberantes, outros mais discretos, uns mais queridos, outros odiados injustamente(?afinal ,eram loucos). A questão que me apraz hoje desenvolver é "deveremos acarinhar os nossos loucos, ou deveremos antes, gentil ou brutalmente (questão subsequente) expurgá-los?"